Em meio a discurso de corte de gastos, gestão Emília autoriza mais de R$ 120 mil para confraternização na Emurb
Em meio ao discurso de austeridade, corte de gastos e responsabilidade fiscal adotado pela prefeita Emília Corrêa para justificar o pacote de contingenciamento anunciado pela Prefeitura de Aracaju, o Diário Oficial escancara uma contradição difícil de ignorar. Na mesma edição em que a gestão reforça a narrativa do aperto nas contas, a Emurb aparece com duas contratações que, somadas, ultrapassam R$ 120 mil para a realização de uma confraternização de fim de ano do órgão: uma de R$ 61 mil para buffet completo e outra de R$ 61,3 mil para infraestrutura, som, decoração e mobiliário.
O contraste pesa ainda mais porque ocorre justamente no momento em que a administração tenta convencer a população de que vive um cenário de rigor fiscal. O decreto assinado por Emília suspende licitações, impõe cortes em contratos, restringe despesas de custeio e vende a ideia de que a Prefeitura precisou apertar os cintos para preservar o equilíbrio das contas. Mas, diante de um gasto desse porte com festa, a narrativa do arrocho perde força e abre espaço para uma pergunta inevitável: afinal, o aperto vale para quem?
A contradição se torna ainda mais indigesta quando colocada ao lado de problemas concretos enfrentados pela cidade, como as dificuldades no fornecimento de cestas básicas e na contratação de cuidadores para crianças com necessidades especiais.
Em uma gestão que já enfrenta desgaste pela sucessão de crises, pelo rebaixamento da Capag de Aracaju para nota C e pela perda de confiança de parte da população, a divulgação de despesas desse tipo acaba funcionando como combustível para a narrativa de que falta coerência entre o discurso e a prática.
